ATRIBUTO DE MINHA MÃE FRANCISQUINHA (Cairo Arruda, membro da ACI e ACJI)

DONA FRANCISQUINHA ARRUDA


No dia 13 deste mês, se minha genitora (de saudosa memória) , viva fosse,  estaria com 108 anos de existência.

Dos 8 filhos por ela gerados, em parceria com o meu pai Miguel, o que mais lhes deu canseiras e vexames, foi este comentarista, por força de uma enfermidade de que fui acometido em tenra idade, em Tururu – CE, então Distrito de Uruburetama, onde o meu genitor era comerciante.

O médico que assumiu meu tratamento, por sinal, com bastante interesse e dedicação – Dr. Antônio Romcy - , disse aos meus pais, que só teria condição de me tratar como deveria  e convenientemente, residindo a família, em Fortaleza,  onde o mesmo tinha o seu consultório.

Então, a alternativa para os meus genitores, foi se desfazer de tudo que possuísse na vila de Tururu e transferir o novo domicílio para a capital cearense optando por adquirir uma mercearia com a , coa a casa nos fundos, para facilitar, a assistência da minha pessoa, ao lado da esposa, , e dividindo com ela os cuidados do filho.

Para resumir, com as graças de Deus e de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (de qual santa mamãe Francisquinha era muito devota), o final foi feliz, e hoje estou relatando parte da minha história, encerrando-a com uma antiga  canção (de cujo autor original não me recordo o nome), mas muito bem regravada por Chico Buarque , a qual era entoada por minha entoada genitora, em seus momentos sentimentais.

Ei-la:

SEM COMPROMISSO

Você só dança com ele
E diz que é sem compromisso
É bom acabar com isso
Não sou nenhum pai-joão

Quem trouxe você fui eu
Não faça papel de louca
Prá não haver bate-boca dentro do salão

Quando toca um samba
E eu lhe tiro pra dançar
Você me diz: não, eu agora tenho par

E sai dançando com ele, alegre e feliz
Quando para o samba
Bate palmas, pede bis

(Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro)

CAIRO ARRUDA EM 21.03.2021



 

AKI LEMBRANU: DOS MEUS RECUERDOS DE IP

MLUIZA

 A loja de papai sempre juntou muita gente. Bem humorado e amistoso como sempre foi, papai garantia uma convivência amistosa inclusive entre adversários políticos apagando com habilidade ímpar todas as centelhas que poderiam provocar ardentes labaredas.

Quando Zé Saraiva estava coligado com Mauro Sampaio,  Tintinha, sua esposa, pessoa queridíssima e com um senso de humor invejável, gostava de falar em política lá na loja. E toca elogios a Dr. Mauro que era uma das sete maravilhas do mundo. Só tinha ele e ninguém mais valia nada. A exaltação política tem um componente afetivo que vai além de qualquer racionalidade. Perto de eleição isso vira um tsunami.  Embora papai fosse do partido contrário, por lá circulavam tanto seus correligionários quanto adversários políticos e ele abortava essas bombas com a maior facilidade. O que valia era a prosa animada e todo mundo se juntava lá justamente por esta razão.  

Alguns ficavam encrespados, mas papai cheio de prosa desarmava qualquer possibilidade de desentendimento. Bosco Crispim, pra variar, ficava sempre debruçado no balcão fumando seu cigarrinho Continental sem filtro e prestando atenção na conversa.

Um dia, com as eleições se aproximando e os ânimos ficando mais exaltados, Tintinha começou a elogiar demais seu candidato e o ambiente foi ficando carregado. Papai num lance definitivo resolve criar uma estratégia imediata para esfriar a roda de conversa e evitar constrangimentos. Não teve dúvida. Apelou. Por baixo do balcão deu uma tremenda cutucada em Bosco. Machão como era, Bosco reage indignado. Alterou-se.

- Vicente, você tá pensando que eu sou veado?  Eu sou é homem, eu não sou veado não.

Desafiado na sua macheza, Bosco endoideceu e desandou um rosário de impropérios deixando todo mundo perplexo e sem ação.  Papai bem tranquilo olhando a revolta do seu funcionário.  Tintinha, assustada, virou-se para ele e perguntou:

- Vicente, que danado é isso?! Esse rapaz ficou doido, foi?.

Calmamente,  papai respondeu.

- Esse menino agora deu pra isso, Tintinha.  Não pode ouvir falar em política que endoidece. Eu já reclamei mas não tem quem controle.

Acabou-se o mal estar. Todo mundo entendeu e Tintinha, amiga inesquecível, continuou frequentando as rodas da loja, mas nunca mais falou em política por lá.

MLUIZA

Recife

15.02.2021

AKI DOMINGANU

 

MLUIZA

Domingo já é uma ausência de dia, como diz Mia Couto. Dentro de casa, pior ainda. Com a apreensão do covid e o samba do crioulo doido em que se transformou a saúde pública no brasiu fica tudo mais complicado. Tem que abstrair. Como eu gosto de novidade, resolvi passar o dia conhecendo algo novo. Eu já andava me interessando pelo tema e desde a semana passada decidi me aproximar. Também não sei quanto tempo vou ficar por lá. A minha alma volátil me promete novidades, mas nunca estabilidade. Deus me livre de viver parafusada. Assim, se você me procurar e não me achar, não vá atrás dos lugares onde eu sempre estive que provavelmente não vai me encontrar. Procure no lugar onde jamais você imaginou que eu pensei em estar por lá. Ou seja, gosto de me surpreender. E nestes tempos tenebrosos o virtual tem me ajudado. Como na música, me dano pelas estradas mundo afora vou embora sem sair do meu lugar. Estamos no tempo do possível e eu quero aproveitar do jeito que dá.

Eu sou do tipo que gosta porque gosta e ponto final. Explicar pra quê? Olhando as lindas e criativas aquarelas produzidas por um amigo chamou-me a atenção e despertou-me a vontade de conhecer minimamente os processos criativos. Fiquei encantada com a delicadeza do trabalho e com as múltiplas possibilidades que ela oferece. Pronto. Foi o suficiente para abrir mais uma janela aberta para novos olhares. Nunca serei aquarelista, nem uma péssima conseguirei ser, mas eu sou assim, gosto de renovar minhas paixões e essa é a do momento. Na verdade, o que eu gosto mesmo é de me admirar com o que não conheço. Herdei isso de mamãe que ainda hoje, aos 93 anos, tem uma invejável capacidade de se admirar e que antes do covid estava literalmente encantada com o mundo dos dinossauros.

Sempre há de haver algo novo capaz de nos encantar. Agora, mais do que nunca, precisamos sacudir a poeira e sair por aí incorporando o espírito dos grandes aventureiros e navegadores da história. Deixar fluir a curiosidade saudável porque, apesar de tudo, o mundo ainda é um pródigo território a descobrir. Nem precisa ir tão longe e, muitas vezes, nem usar a internet. Basta atentar para o que está ao lado. Você poderá se surpreender com as infinitas possibilidades de descobrir novas formas de olhar e perceber.

MLUIZA

Recife, 17.01.2021

AKI PENSANU: CONSELHO QUE TE DOU DE GRAÇA

MLUIZA

Miga, fuja de tudo que traz perigo. Cobra venenosa, cachorro doido, boi encaretado, manga com leite, planejamento do ministério da saúde, banho de estômago cheio, transa depois do pirão, cloroquina, mistura de cachaça e rum montila, breu com cola, mel com terra, gente dissimulada, mandioca brava, voto no 17, aglomeração em tempo de corona,  remédio para verme como preventivo para o covid, tintura barata nos cabelos e etc. etc. etc. A lista é grande, mas fuja principalmente dos homens vitimizados. Corra do macho borocoxô porque esse, sim, é um investimento a fundo perdido, mercadoria sem remetente. Não tem como fazer devolução. A família geralmente torce pelo romance porque quer te despachar o abacaxi. Sabe daquela musiquinha “laranja madura na beira da estrada...”

O sujeito tem um repertório de razões para explicar o que não deu certo e a culpa é sempre dos outros, inclusive sua. Do jeito que mulher é chegada a sentir culpa, é um prato cheio. Prepare-se. Sua vocação heroica será desafiada. Você vai compreender, compreender, compreender e se foder. Não adianta orar. Nem padre, nem pastor, nem pai de santo  vai liberar o encosto. Não apele para novena nem para as almas benditas. No território lá de cima ninguém vai lhe socorrer porque todo mundo já deu seu caso como perdido. Não procure apoio em psicólogos nem em terapias esotéricas porque vai gastar tempo e dinheiro em vão. Nem invente fazer terapia de casal. É furada. Esquece. Nem beberagem preparada por um pajé de uma tribo que ainda nem teve contato com a civilização vai desenrolar seu karma. Livro de autoajuda menos ainda. Nem despacho com galinha preta na encruzilhada do bairro vizinho pra ninguém saber que foi você que botou lá. Não acenda vela. Não vale.  Menos ainda as de sete dias porque você pode esquecer e incendiar a casa.  Nem no procon, nem na delegacia e muito menos na justiça adianta reclamar. Sua causa é perdida.  

Por mais que você faça não vai tirá-lo do buraco. O azarado até ganhou o prêmio da megasena, mas como a Caixa tem implicância com ele, não reconheceu o seu jogo. Tem ideias brilhantes mas não sai do lugar. É um incompreendido. Ele vai morrer de inveja até do sapato novo que você comprou. Sabe aquele celular que você trabalhou o ano inteiro para comprar a prestação um de primeira linha só pra se amostrar? Não presta!  Batom vermelho é coisa de puta. Ele vai chupar seu sangue feito um procotó desvairado, apelar para tudo. Dê por perdido seu brilho pessoal. Esqueça a purpurina, ela não te pertence mais. Você vai até precisar de soro fisiológico para abastecer seus olhos de lágrimas porque as originais não vão dar conta. O seu astral que já estava mais por baixo do que poleiro de pato  desceu de vez no esgoto. Tchau. Foi-se.

Você nunca vai resolver o problema dele porque o problema é ele. O único caminho é reconhecer que você está num relacionamento abusivo. A única solução é cair fora. Não tem outra. A escolha é  entre ele ou você. Não há solução intermediária.

Não tenha pena, miga. Quem tem pena é galinha. Não sinta medo nem culpa até porque logo mais ele encontrará outra tonta carente que vai cair no seu laço. O que não falta no mundo é mulher compreensiva.

Corra, bebê, que a vida só acontece uma vez. É pegar ou largar.

MLUIZA

Recife, 16.01.2021

EDMILSON QUIRINO DE ALCÂNTARA: A LEMBRANÇA ALEGRE DE QUEM TEM APREÇO PELO TRABALHO QUE REALIZA.

Conversar com Edmilson é sempre muito agradável. Apesar da memória já comprometida ele adora falar sobre sua experiência como dono de bar....