MLUIZA |
O TEXTO ABAIXO CONSTA DO LIVRO DE
TOMBO DA PARÓQUIA DE IPAUMIRIM. FINALMENTE ENCONTRAMOS UM DOCUMENTO LEGAL QUE
TIRA ALGUMAS DÚVIDAS SOBRE A MEMÓRIA DA RELIGIOSIDADE CATÓLICA EM IPAUMIRIM DESDE
OS SEUS PRIMEIROS TEMPOS ATÉ O INICIO DE INSTALAÇÃO DA PARÓQUIA. FAREI
INSERÇÕES EM CORES DIRETO NO TEXTO ORIGINAL PARA ESCLARECER O LEITOR SOBRE
ALGUNS ASPECTOS. PORTANTO, NÃO SERÃO UTILIZADAS NOTAS NO FINAL DO TEXTO PORQUE MUITA
GENTE NÃO TEM O HÁBITO DE TRABALHAR COM ESTE TIPO DE RECURSO FINALIZANDO A
LEITURA SEM SE DAR CONTA DE DETALHES IMPORTANTES PARA COMPREENSÃO DO TEXTO.
MATRIZ NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO |
ANOTAÇÕES NO LIVRO DE TOMBO DA PARÓQUIA DE IPAUMIRIM
19 de março de 1962
19 de março de 1962
(Páginas
21-22)
Festa
de São José. Primeiro aniversário de criação da Paróquia de Ipaumirim-CE.
Faz
realmente 1 ano que esta igreja de Nossa Senhora da Conceição foi erigida em
matriz, pelo senhor Bispo Diocesano do Crato
com o título de Paróquia da Imaculada Conceição de Ipaumirim.
Não
sabemos ao certo quando esta igreja foi erigida pela primeira vez. O IBGE dá a
data de 1891, data que me foi indicada segundo o agente de estatística Sr.
Alberto Viana de Moura, pelo Revmo.
Monsenhor Manuel Carlos de Morais. Mas não há dados definitivos. Pelas
informações orais dos mais velhos, um Padre Inácio, filho desta terra que
morreu residindo em Quixará, erigiu em suas terras uma capelinha de taipa mais
ou menos na atual Rua São Vicente (o nome desta rua
atualmente é Rua Alexandre Gonçalves da Silva. Esta rua por ser poente sempre
foi conhecida como Rua do Sol, aliás, o nome mais inspirador que ela teve até
agora.), fronteira correspondente a Sacristia da Matriz e no nascente da atual Av. Coronel Luiz Leite da
Nóbrega. (Não lembro de nenhuma avenida com este nome.
Provavelmente ele quis fazer uma referência a residência de Luiz Leite da
Nobrega para facilitar a localização uma vez que nos tempos antigos, localizar
uma rua como a rua de uma pessoa de referência na localidade era usual. Que eu
saiba, o nome original desta rua desde o início chamou-se Rua Coronel Gustavo
Lima. Apesar de ter este nome, esta rua era conhecida como Rua da Sombra, o
nome mais simpático que ela teve. Coronel Gustavo Augusto Lima era filho de
Fideralina Augusto Lima, pai de João Augusto Lima que chegou em Alagoinha em
1919 e muito fez pelo povoado. Para os mais jovens, Gustavo era tio em segundo
grau de Adolfo Augusto de Oliveira e Luiz Leite da Nóbrega) Dizem que isto decorreu no tempo em que o
Padre Inácio apenas cuidava da sua propriedade. Alguns dos atuais moradores de
Ipaumirim ainda se casaram nesta capelinha. A data parece ser anterior a
1891.Talvez 1888 segundo uma testemunha ocular. Então esta zona fazia parte da
Paróquia de Umari criada em 1883 pelo vigário Capitular Monsenhor Hipólito e
tendo como vigário o Padre Antônio Joaquim dos Santos.
Dizem
que o Padre Joaquim, doente e reumático, vinha em padiola fazer as visitas
transportado por escravos ou por homens livres fazer as visitas costumeiras à
capela de Alagoinha – (ilegível). Morto em 1897, o Padre Antônio Joaquim dos
Santos, Umari ficou desmembrada para efeito de curas de almas entre Icó e
Lavras da Mangabeira recebendo cada uma a parte que haviam cedido quando da
criação da Paróquia de Umari. O vigário de Lavras constrói já neste século,
talvez 1902, a capela de Alvenaria no local da Matriz. Uma capela muito pequena que sofrendo várias
reformas porque os vigários reformadores não anotaram no Tombo, ficando apenas
a incerteza na cabeça do povo.
Reforma da capelinha da Igreja. Sem data. Fonte: GONÇALVES, Rejane Monteiro Augusto. Umari, Baixio Ipaumirim: subsídios para a história política. p. 149. |
É
certo, porém, que em 1913, o coronel José Ferreira de Santana doou o patrimônio
da Senhora da Conceição construindo também o cemitério. Tal patrimônio valioso
é verdade que fora antigamente propriedade do Padre Inácio, fugiu do domínio da
santa pelo ano de 1921 quando foi
vendido para se transformar em ações do Banco do Cariri S.A. Assim ficou a
nossa igreja pobre, rica apenas na generosidade dos fiéis.
OBSERVAÇÕES:
1. As terras da família Bonfim a
qual pertencia o Padre Inácio eram as terras do Sitio Lagoinha. Não tenho conhecimento se esta seria legalmente uma data de terra desde que o
desconhecimento popular sobre as medidas legais de uma data de terra fez com
que usualmente se chamasse ‘data de terra’ as grandes propriedades rurais mesmo
que elas não tivessem a dimensão legal das datas. Esta terra foi adquirida, eu
não sei se totalmente ou grande parte dela, pelo Coronel José Ferreira de
Sant’Anna, conhecido como Coronel Cazuza Sant’Anna, oriundo de São José do
Egito-PE onde foi chefe político durante muitos anos. José Ferreira de
Sant’Anna era pai de Maria Leite da Nóbrega, esposa de Luiz Leite da Nóbrega. O
que sei é que estas terras faziam fronteira com o Sitio Ingá, no município de
Baixio, e que até o ano de 1920 constavam do recenseamento agrícola do Ceará
como de propriedade de Cazuza Santana. Desta propriedade, coronel Cazuza doou a
faixa de terra que corresponde a atual
Rua Alexandre Gonçalves. Não tenho dados para informar a extensão e a largura da faixa doada.
Considerando que os limites da época eram geralmente traçados pelos acidentes
geográficos seria possível que estas terras tenham ido até a margem do riacho
que fica nestas imediações. Posteriormente, o restante destas terras de Coronel Cazuza passaram a
pertencer a Pedro Alexandre, não sei se totalmente ou se houveram outros
compradores desta propriedade. Considerando a subdivisão desta área em vários
sítios é possível que sim. Meu tio Luiz me contava sobre essa doação mas me
faltava este documento legal que referenda a informação oral.)
2.O Banco do Cariri, primeira instituição de crédito da região do Cariri,
foi criado pela Diocese do Crato por D. Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva,
então bispo do Crato, sob inspiração da
Encíclica Rerum Novarum e através da Ação Católica Social no Ceará.
Caracterizava-se como uma sociedade cooperativa de responsabilidade limitada e
foi instalada em 08/09/1921 com 40 sócios. Foi a primeira instituição de
crédito desse gênero que funcionou naquela região. Sua primeira sede se situou
na Rua Senador Pompeu, no então nº. 49, e, seu primeiro presidente foi o médico
Irineu Nogueira Pinheiro, que dirigiu a instituição até 1933. Na época, o bispo
diocesano aconselhou ou pressionou as paróquias a adquirirem ações nominais no
banco, em contrapartida elas teriam direito a voto. Muitas paróquias venderam seu
patrimônio doado pelos fiéis para aplicarem naquela instituição. Assim, as
terras de Ipaumirim pertencente ao patrimônio da capela entraram nessa onda e
perderam um patrimônio que poderia lhe render foros até a atualidade se não
tivesse embarcado nessa viagem. Outras paroquias se rebelaram mas no que diz
respeito a Ipaumirim vinculado à paróquia de Umari não parece ter acontecido nenhuma reação
em sentido contrário à dilapidação do patrimônio da capela. Posteriormente, a fusão do Banco do Cariri com o Banco do
Juazeiro, em 1972, resultou no Banco Industrial do Cariri vinculado à Família
Bezerra de Menezes que, na década de 70, dominava a política no Ceará.
Depois apareceu a devoção a São Sebastião entronizado no alto da Pedra Redonda, belo recanto da cidade de Ipaumirim. Não podemos colher a data certa do Nicho da Pedra de São Sebastião. Mas foi ultimamente já nos anos de 1950, que o Coronel Luiz Leite da Nóbrega construiu com o povo a simpática igrejinha da Pedra de São Sebastião. Em 1957, dizem o término dos trabalhos, ou em 1956? (Foi exatamente em 1956 conforme anotações da Caderneta de Luiz Leite da Nóbrega que pertence ao meu arquivo pessoal. Alguns retoques e pagamentos foram feitos no início de 1957 mas a construção é de 1956). Com estas duas igrejas e um novo cemitério pois o primeiro foi destruído, Ipaumirim é elevada à Paroquia, comemorando hoje o primeiro aniversário.
BIBLIOGRAFIA
BEZERRA,
Hermes Pereira. Ipaumirim 60 anos: Fatos
e fotos Alagoinha/Ipaumirim. Ipaumirim, 2013. Edição do autor. 330p.
GONÇALVES,
Rejane Monteiro Augusto. Umari, Baixio
Ipaumirim: sobsídios para a história política. Fortaleza. 1997. Edição do
autor. 179p.
LEMENHE,
Maria Auxiliadora. Família, tradição e
poder: o (o)caso dos coronéis. Disponível em: https://books.google.com.br/books?id=PidOnFVAxbkC&pg=PA167&lpg=PA167&dq=Banco+Industrial+do+Cariri&source=bl&ots=2yagVu-Fp2&sig=ACfU3U3_eSNKGfnEcm44EdrocvEIlu9Tew&hl=pt-BR&sa=X&ved=2ahUKEwjSxdvEgPfnAhXRHbkGHWeEBIMQ6AEwA3oECAoQAQ#v=onepage&q=Banco%20Industrial%20do%20Cariri&f=false
LIVRO
DE TOMBO DA PARÓQUIA DE IPAUMIRIM. Nº1.
MORAIS,
Maria Luiza Nóbrega. Anotações pessoais
para a construção da memória de Ipaumirim. Recife.
_____.
A construção da Capela de São Sebastião. Disponível em: https://impressoesdigitaisrepositorio.blogspot.com/search?q=capela+de+s%C3%A3o+sebasti%C3%A3o
NEGREIROS,
Carlos Viana. Os
bancos criados pela Ação Social Católica no Ceará:
o Crédito Popular São José, o Banco do Cariri
e o Banco Popular de Sobral. Disponível em: https://www.institutodoceara.org.br/revista/Rev-apresentacao/RevPorAno/2012/08_osbancoscriadospelaacaosocialcatolica.pdf
MLUIZA
Recife, 01.03.2020
MLUIZA
Recife, 01.03.2020